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Apostolado da Oração

Narrativas do Poder Feminino

Narrativas do Poder Feminino

Maria José Lopes; Ana Paula Pinto; António Melo; Armanda Gonçalves; João Amadeu Silva; Miguel Gonçalves (Orgs.), 741 págs., 2012

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35,00 €

9789726972051

Desde a Antiguidade que a relação entre a mulher e o poder foi pautada por bastante ambiguidade. Cedo existiu uma associação correlativa do poder à força física, apanágio do género masculino. A fragilidade feminina, aumentada pela  sua alegada instabilidade emocional, tornava-a inadequada para o exercício de qualquer poder aos olhos de sociedades eminentemente guerreiras. Ainda assim, uma mulher como Helena foi poderosa a ponto de causar a guerra mítica que marcou toda a tradição clássica e escapar incólume.

A Grécia Clássica olhará com estranheza e receio criaturas como as Bacantes, que o álcool transformava em animais selvagens, e as Bárbaras, detentoras de artes mágicas, paixões incontroláveis e apetência guerreira, como as Amazonas. Apesar de existirem grandes mulheres como Aspásia por detrás de grandes homens como Péricles, ma reacção foi remeter a mulher livre para o recato do lar, impedindo o seu acesso à vida política e controlando os seus bens e vida privada através de tutores. Tal exemplo, em parte seguido numa Roma assustada pelas rainhas orientais Cleópatra e Zenóbia, será projectado para a posteridade e associado ao modelo semítico na herança judaico-cristã.

Passados longos séculos em que o desenvolvimento das ideias, da ciência e da sociedade ocidental levou ao debate em torno das capacidades e direitos femininos, as marcas do passado cristalizado no legado clássico continuam visíveis.

Mas o poder feminino exerce-se também noutros âmbitos, da família ao espaço laboral e público em que ela cada vez mais imerge, quer por necessidade financeiras, quer para se realizar como ser humano, originando novos desafios, de algum modo já visíveis no passado, e novas narrativas que cumpre analisar.