2022, Volume 26, Hospitality on the Margins of Human Experience
Revista Portuguesa de Humanidades, 2022, Volume 26, Hospitality on the Margins of Human Experience
Revista Portuguesa de Humanidades, 2022, Volume 26, Hospitality on the Margins of Human Experience
Revista Portuguesa de Humanidades, 2022, Volume 26
| Rights | © 2022 Aletheia - Associação Científica e Cultural |
|---|---|
| Title | Hospitalidade nas Margens da Experiência Humana ; Hospitality on the Margins of Human Experience |
| Publication | Revista Portuguesa de Humanidades |
| Volume | 26 |
| Issue | 1-2 |
| Place | Braga |
| Publisher | Axioma - Publicacções da Faculdade de Filosofia |
| DOI | https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_000 |
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ISBN |
9789726973584 (Paperback) ; 9789726973591 (eBook) |
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ISSN |
0874-0321; 2184-4712 |
| Date | 2022 |
| Language | Portuguese, Italian |
| # of Pages | 202 |
| Date Added | 31/12/2022 |
| Modified | 31/12/2022 |
| Presentation |
Ao festejar o seu 25º aniversário, a Revista Portuguesa de Humanidades decidiu adoptar como temática prioritária uma questão de indiscutível pertinência nos tempos que correm: a Hospitalidade. O texto de lançamento do volume recomendava como ponto de partida inspirador os textos fundacionais da cultura ocidental. Os Poemas Homéricos, primeiros testemunhos literários da Europa, sublinham a força expressiva dos dinamismos de hospitalidade nas relações interpessoais. O imperativo religioso de culto aos deuses e de protecção aos mais fracos, o acolhimento prestado ao amigo ou ao desconhecido em itinerância, os rituais de recepção e de convivialidade à mesa, onde todos são iguais, surgem como modelos que promovem o reconhecimento da dignidade do outro. Num mundo marcado pelas mesmas vicissitudes que desde sempre caracterizaram a vida humana – fomes, pestes, guerras, exílios – o exemplo de Ulisses, involuntariamente arrastado para uma guerra estranha, detido longe da pátria num regresso de excepcionais tribulações, perseguido por infortúnios sem fim, maltratado até dentro do seu próprio palácio, assume uma simbologia perene, que se replicará, plasmada em diferentes contextos históricos, em tensões dicotómicas que complexamente confrontam o princípio da identidade e da alteridade. Enquanto a Tragédia Clássica, muito marcada pelos conflitos pessoais e colectivos, insiste na dicotomia do civilizado e do bárbaro, também no contexto da história vários escritores recuperarão a memória de infelizes, refugiados e exilados, coagidos a adoptar fora do seu cenário natal outros padrões de cultura, e a partilhar os seus. Similares vivências de tribulação estão também plasmadas nas narrativas bíblicas, e aportam à tradição ocidental a centralidade dos dinamismos da hospitalidade, na construção complexa da vivência humana. Os alicerces greco-latinos e judaico-cristãos oferecem, a par de outras culturas geograficamente mais distantes da Europa, as bases para uma reflexão em novos contextos e tempos, afinal em quase tudo semelhantes ao passado. Com efeito, a hiperactividade das comunicações, apoiada por desenvolvimentos científicos e técnicos sem precedentes, está a gerar nas sociedades contemporâneas – cada vez mais globalizadas, multiculturais, e expostas ao outro – a ilusão do completo esbater de todas as fronteiras e distâncias. A mesma desenfreada exposição mediática, que expõe as vivências humanas, em qualquer canto do mundo, e a qualquer canto do mundo, sem a necessidade do contacto próximo, faz, no entanto, sobressair a certeza de que nem sempre o reconhecimento da alteridade fundamenta o desejo do encontro hospitaleiro. Afectada por uma pandemia de proporções inesperadas, assolada por crises políticas e vagas migratórias de excepcional amplitude, dividida por recorrentes manifestações de nacionalismos, populismos e múltiplas variantes de discriminação, a sociedade contemporânea parece alimentar, de forma crescente e perturbadora, o preconceito da superioridade que legitima a destruição do Outro. É, por isso, cada vez mais premente revitalizar o debate em torno do tema da hospitalidade. Este fascículo da Revista Portuguesa de Humanidades pretende contribuir para a construção de uma humanidade mais solidária e fraterna. Não se trata de uma diacronia rigorosa, cuja compreensão se fundamente em determinado padrão civilizacional: o leitor poderá certificar-se da ordenação histórica, aberta ao futuro. A paisagem do mundo em que vivemos não se esgota em visões parcelares, pois o traço que as unifica e reúne está por vir. A leitura, atenciosa e amável, fará convergir para o alto a esperança inconsútil na paz universal. “A hospitalidade é uma maneira concreta de não se privar deste desafio e deste dom que é o encontro com a humanidade para além do próprio grupo” (Papa Francisco, Fratelli Tutti, Carta encíclica sobre a fraternidade e a amizade social, 2020, nº 90).
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| Contents |
Mário Garcia, Ana Paula Pinto, e Maria José Ferreira Lopes, «Hospitalidade nas Margens da Experiência Humana», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 11–14, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_011.
Ana Paula Pinto, «Memória de vinculação simbólica: a hospitalidade homérica em contexto de hostilidade», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 15–34, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_015.
Cleber Vinicius do Amaral Felipe e Frederico de Sousa Silva, «Sêneca e as figurações da hospitalidade», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 35–56, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_035.
Luciane Munhoz de Omena e Dyeenmes Procópio Carvalho, «As fronteiras entre o exílio trágico e a morte social em Medeia, de Sêneca», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 57–72, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_057.
João Emanuel Diogo, «A Felicidade, Razão da Cidade: Francesco Patrizi da Cherso», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 73–82, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_073.
Chiel Monzone, «Entanglement sociale: l’inospitale aristocrazia ne La Carestia di Domenico Tempio», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 83–104, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_083.
Maria José Ferreira Lopes, «Visões do coletivo e da partilha em Homero e Aquilino: entre a convergência e a diferença», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 105–24, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_105.
Francisco Nazareth, «Entre Memória e Barbárie: As Crónicas Jugoslavas de Álvaro Guerra», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 125–52, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_125.
Mário Garcia, «Daniel Faria, Sétimo Dia. Uma espécie de desejo da hospitalidade definitiva», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 153–60, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_153.
María do Carmo Henríquez Salido, «Nomes sufixados em -(t)óri(o), -óri(o), -tóri(a) e adjetivos sufixados em –óri(o/a) no vocabulário jurídico do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 163–82, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_163.
Ricardo Barroso Batista, «Book Review - Burns, John, Matthew Caleb Flamm, William Gahan, e Stephanie Quinn. The Quarrel Between Poetry and Philosophy: Perspectives Across the Humanities. Nova Iorque e Londres: Routledge, 2021», Revista Portuguesa de Humanidades 26, n.o 1–2 (2022): 185–90, https://doi.org/10.17990/RPH/2022_26_1_185. |