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O Outro e o Rosto? Problemas da Alteridade em E. Levinas

O Outro e o Rosto? Problemas da Alteridade em E. Levinas

Etelvina Pires L. Nunes, 278 págs., 1993

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Emmanuel Levinas, ao entardecer da sua vida, viria a conhecer a grande celebridade, uma celebridade que não tem nada de efémero. Pelo contrário, alarga-se e consolida-se, ao passo que a dos seus colegas, quer mais novos quer mais velhos, não iria durar senão alguns anos. Esta celebridade duradoura não se deve ao acaso, nem à moda; liga-se à forte atracção que exerce um pensamento novo, desoxidante, cujo ímpeto violento faz dispersar os jogos resplandescentes dos ideológicos e dos bizantinos [...]. 

Trata-se de facto de "filosofar diferente", mais do que de uma filosofia inédita. Não somente porque "depois de Auschwitz" não se pode continuar o rame rame das discussões especulativas - mas porque a filosofia chegada a uma espécie de linha interdita, forçada também por Heidegger, vê-se obrigada a arrepiar caminho e a interrogar sem piedade os seus pressupostos. Uma obra muito bela como a de Hermann Cohen, Religion der Vernunft aus den Quellen des Judentums, não obstante certa analogia com o projecto de Levinas, é hoje inconcebível, situada ainda como está na esteira de Espinosa. Consciente duma mutação ao mesmo tempo inelutável e impedida, Levinas declara guerra ao privilégio, patente ou oculto, mas indiscutido, do Ser com o seu reverso de Nada. No lugar do Ser, o Outro; no lugar da ontologia, a heterologia. Levinas aposta em elaborar a contracorrente, uma filosofia de impacto inoportuno, percuciente, de outrem, em substituir ou inverter o eixo transcendental do conhecimento e da tipologia do Ser, a saber, o Ego imprescritível , para o pólo oposto, o alter sem qualidades, não colado ao ego. A intenção de Levinas é certamente, porém, o refazer da subjectividade, como se torna evidente depois do segundo batente do díptico, Autrement qu'être, mas é uma subjectividade alienada, messiânica. O Eu, dominado pela obsessão pelo outro, torna-se como que possesso, sem eira nem beira, "nomada", de modo que o título feliz inventado por Ricoeur para o seu estudo da identidade, Soi-même comme un autre, tem ressonância levinasiana. Os outros também são eu, diz Fernando Pessoa pela boca de Álvaro de Campos.

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